Que eu adoro a cultura italiana você já deve saber ! Em setembro mergulhei na literatura clássica de Dino Buzzati.
Em O deserto dos tártaros, publicado em 1940 conhecemos Giovanni Droggo e sua ida para o fronte que inicialmente foi visto como um marco , divisor de águas se tornar oficial , algo tradicional e honroso.
Chegando no fronte Bastiani, Droggo é impactado e tem a certeza que é melhor ir embora, mas o místico mito e lenda de O deserto faz ele quebrar o primeiro instinto e ficar, anos. ..
Capítulos curtos, história aparente liniar mas com mensagens profundas sobre processos. E o que almejamos para nós.
O tempo, entretanto, corria, marcando cada vez mais precipitadamente a vida com a sua batida silenciosa, não se pode parar um segundo sequer, nem mesmo para olhar para trás. (…). Tudo se esvai, os homens, as estações, as nuvens; e não adianta agarrar-se às pedras, resistir no topo de algum escolho, os dedos cansados se abrem, os braços se afrouxam, inertes, acaba-se arrastado pelo rio, que parece lento, mas não para nunca. Dia após dia Drogo sentia aumentar essa ruína (…). Na vida uniforme do forte faltavam-lhe pontos de referência, e as horas lhe fugiam antes que ele conseguisse contá-las. (BUZZATI, 2017, p. 144
Recomendo a leitura para refletir sobre os nossos próprios desertos como um reflexo da vida.
