Nos últimos tempos, tenho me permitido ler mais a literatura nacional, não apenas clássicos como a diversidade e riqueza das obras contemporâneas .
Minha primeira experiência com Eliana Alves Cruz , foi com Água de Barrela da editora malé foi por meio de uma leitura conjunta (@amarialer+nacionais).
Um enredo rico sobre o Brasil colônia e suas vertentes até o século XX. Conhecemos Damiana personagem principal , que une o caminho de todas as mulheres que a cerca. Como a sua mãe , sua avó , bisá , filhas e o que norteia todos : a injustiça contra o ser humano.
Uma verdadeira aula sobre o Brasil e os afro-brasileiros impacta um estado, um país e gerações de uma família. A religiosidade como pano de fundo caracteriza as raízes de um povo.
Água de barrela: a forma de sustento das mulheres negras da época era lavar, quarar e os afazeres domésticos englobam servir sinhás e famílias brancas. Elaine consegue com maestria apontar os sofrimentos reais e também a luta e sabedoria das mulheres negras . A complexidade histórica é sinônimo de resistência.
Ouvir pela plataforma audible intensificou os sentimentos de tristeza, agonia com fios de esperança de um futuro diferente de ontem .
Os trechos são marcantes com ensinamentos dos mais velhos aos mais novos e vice versa, porque a potencia está nos detalhes da vida. Lembrei de A casa dos espíritos de Isabel Allende, pela extensão familiar e contexto histórico. Mas Água de Barrela foi inspirada em fatos reais, triste realidade.
Toda reza Dasdo dá jeito mesmo que não cure o corpo. Ela sara o coração.
Eliane Alves Cruz
O impacto é enxergar um Brasil para além das paisagens permite aprofundar-se em nosso DNA histórico e ampliar o conhecimento que tanto as personagens buscam como referência de troca de estilo de vida.
